O homem está desesperadamente descontrolado.
- Corte esquemático.
A morte dos pais, tesouras, furos sangue.
- Cérebro, olho e nervos oculares.
O ventilador soprando algo de paranormal.
- Veias azuis, artérias vermelhas.
Gente passando, gente falando, gente perdida, gente lendo jornais.
- Um coração, um único pulmão. O outro deslocado para melhor observação.
Várias árvores, vários porcos. Uma folha em cada árvore, dois ou mais focinhos rinitentes.
- O fígado, o estômago, os rins. Tudo opaco, marrom e plástico.
O relógio destilando minutos, tropicando nos próprios ponteiros.
O relógio no canto da sala, bem perto da porta.
- O intestino.
Somos manequins abertos
Esquecidos num armário qualquer...
A caixa de tralhas e o papel higiênico
Mostram que não seremos usados mais...
Somos manequins perdidos,
Sem braços e pernas
Parados esperando a aula chegar
Em constante pausa em eterno descanso,
Fazendo sombra para desejos surreais!
Somos todos manequins,
Somos todos absolutamente normais.
Somos falas soltas num vento marginal.
Cinqüenta minutos,
O sinal toca. É recreio.
É recreio e há receio de um amanhã todo igual.