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A mais pedida.
O post de hoje, de despedida deste caderno virtual de rabiscos -- que me fez tão bem, por muito tempo --, é feito com citações. A primeira é a epígrafe do meu projeto, ainda na gaveta, do livro NÃO-OFÍCIO: "Já que o mundo evolui a um estado de coisas delirantes, é preciso ter sobre ele um ponto de vista também delirante." (Baudrillard) A segunda, do sempre romântico Moska: Vou abandonar o que já sei E acreditar no incrível Pois foi por água abaixo aquele nosso plano infalível
E para suportar a dor de receber O seu desprezo ao me perder Sei que preciso reinventar o amor E colocá-lo novamente dentro de você
Quando eu modificar a imagem Que aprisiona o seu pensamento Você vai perder o medo de viver e teus desdobramentos E vai encontrar o caminho da beleza Labirinto dado como perdido E vai subir no alto de uma torre Na alma do nosso castelo demolido
Tudo é possível, não há nada que se possa deter O que era impossível acaba de acontecer
Eu sei que o Tempo é uma grande árvore De galhos infinitos E que o presente é o momento em que ela dá seu fruto mais bonito
E que amanhã tudo talvez Nos apareça claro como foi no início A mesma ilusão de amor nos faz saltar feliz De um novo precipício
E então vamos sentir de novo O gosto da eternidade E confundir instantes de alegria com a real felicidade
Ou, sem percebermos, Os dias irão passando como um trem sem estação E lá estaremos nós com os pés no chão Mas encostando o céu com a palma das mãos
Tudo é possível, não há nada que se possa deter O que era impossível acaba de acontecer Sendo assim, encerro as atividades do FLORCONCRETA, desejando que o tempo seja generoso com todos nós. Um sincero beijo e abraço aos assíduos leitores. Gusta Lacava
Escrito por Lacava às 10h26
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Nobody
Meu avô tinha uma vontade de viver tão imensa que seu corpo continua expressando esse objetivo irracional de vida: suas células não morrem.
Escrito por Lacava às 23h26
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Isso.
Aos 81 anos meu avô iniciou um desprendimento. Sua fala está parca, sua memória recorre apenas a 3 ou 4 fatos de quando ainda havia tempo para os trilhos e motores da Fepasa. Ignora sua data de nascimento, sua constituição familiar, local onde mora, pequenos hábitos -- como onde se guarda a panela ainda quente de feijão.
Hoje, almoçando ao seu lado, vi que estava muito próximo do sentimento que permeia meu poema entitulado "de profundis": seu desprendimento, provavelmente, seja uma compreensão da morte. E seu olhar vago é que me proporcionou tal conclusão. Assim, mesmo que diagnostiquem Alzheimer, continuo enaltecendo sua figura e pensando apenas em "desprendimento". E talvez em "espera".
Metade do que eu quero ser, ele já é.
Escrito por Lacava às 19h51
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Seguido dos ventos nesse final de noite...
"Apertei Jill contra mim, lhe varei a boca com a língua. Em meio ao beijo ela sussurrou sim, vem logo. Novamente, abrupto, arredei meus instintos e lhe confessei que eu queria tempo para amar. Jill disse que não, que tinha sido esse romantismo pateta que despedaçara Steve. Conheci Steve em Harvard, ela sentenciou. Nos primeiros tempos de Universidade Steve era um rapaz absolutamente normal. Vivia em paz no seu meio. Mas quando consumou-se nele a paixão por mim começou a dizer que eu era a única mulher de sua vida. Não, Steve trepou muito antes de mim, nenhuma castidade patológica. Mas quando viu que me amava, não sei a razão, preferiu cair doente nos meus braços." (J.G.Noll, Bandoleiros)
Escrito por Lacava às 23h52
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Sem desejar ir nem ficar.
"O fato é que as pessoas se procuram cheias de feridas e se iludem com uma conversa. Acham que de conversa em conversa vai-se aguentando até morrer." (J.G.Noll, Bandoleiros)
Escrito por Lacava às 17h17
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Então solidão é isso.
Para que este não seja apenas um espaço de cotidianidades, um poema:
"de profundis" Gustavo Lacava (10122008)
Silêncio. Na cruz, Cristo e os ladrões Compreendem o absoluto texto. Aceitam durante um instante Lendo na primeira face Do insondável, a sentença.
E oram, deduzindo exponentes, Aos possíveis sinais da paixão: Deus, brotai no meu peito!
Sim, aceitar sempre a pergunta; Ora repetida e líquida. - Palavra e Verbo.
E sorriem, e entendem, doutos, O mistério de ser e esperar.
Escrito por Lacava às 15h36
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Ufa...
Depois de quase 2 dias de trabalho, consegui uma boa carta para a inscrição como aluno especial no mestrado da usp. Se só a carta foi foda, imagina os trabalhos! Rs... Imagina a dissertação! HAHAHAHA!
Agradecimentos públicos aos caríssimos Gustavo Poli e Lívia Gusmão, que foram revisores perspicazes -- e quase escreveram pra mim a tal carta! Rs...
Escrito por Lacava às 16h55
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Re-forma da linguiça
João Ubaldo Ribeiro, cadeira 34 da Academia, bêbado, comenta a tal reforma.
Sim, vale muuuuuuuuuuito. Escute, pense, divirta-se.
Cliqüe aqüi para --
Escrito por Lacava às 15h08
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Ando meio desligado.
Reli a Paixão, da Clarice, mas -- mesmo em 3 noites chorando -- é difícil não ter esperança.
Escrito por Lacava às 20h41
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Fragmen.tos.
I Na igreja, quando um uníssino de "Aleluia" ressoou às portas dos meus ouvidos, juro que ouvi: "Olha a múmia". E Dom Bosco em tamanho real me espiava sem rir.
II - Alô!? - Oi, Gustavo, tudo bem? - Tudo bem! - Então tá.
III HO HO HO. Meu pai tem uma samba-canção natalina. Ontem ele acordou, após sua sesta de aposentado, e rumou com a coluna travada (de aposentado) pela sala, assobiando "Jingle Bell". Eu mereço.
IV Não tem vaga em Assis. Solução, fico mais um ano por aqui. Vestibular? Como é impossível reaver os R$100,00 da inscrição, vou fazer 3 dias de prova do jeito que sou: bêbado. Já comprei 24 latas -- óbvio, 8 para cada dia. Só não posso bater o carro na Raposo.
V Até o ano que vem, prometo! Agora, só o final do ano letivo e iscas de peixe com limão e cerveja na beira do mar. Que a imensidão dos continentes abrace minha solidão.
Escrito por Lacava às 18h51
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